Era um papo assim, meio esquisito.
Como quem não queria nada, conversavam sobre uma igreja de sete santos em uma noite que não prometia absolutamente nada.
Ele tentava convencer ela a ir na igreja. Ela não era religiosa.
Ele gostava de falar coisas sem sentido. Ela tinha uma girafa de pelúcia.
Ele era revoltado. Ela detestava gente iludida.
Ele usava sabonete PH neutro. Ela odiava lagartas.
Ele era bom em ler mentes e em ver o futuro. Ela tinha boa memória fotográfica.
Ele nunca tinha jogado boliche. Ela nunca tinha visto Mary Poppins.
Ele sentia tédio. Ela chamava isso de marasmo.
Lembro-me vagamente que tudo isso ainda tinha algo a ver com uma terra bem distante onde predominavam muros, tijolos, bandidos e truques. Mas que papo estranho heim?
Pra quem vê de fora, nada disso faz o menor sentido, mas pra eles tinha e eles se entendiam.
Dizem que quando duas pessoas estão conectadas, conseguem conversar em uma língua diferenciada, que só elas mesmo entendem. Acho que era isso que acontecia, afinal.
Ele gostava de escrever. Ela gostava de ler.