Uma vez, enquanto criança, meu tio biólogo havia me ensinado algo sobre genes egoístas. Mas eu só lembrava mesmo era da parte dos memes: idéias que saltam de cérebro em cérebro através de um processo chamado imitação. Sempre achei a idéia maravilhosa e isso nunca me saiu da cabeça, desde criança. Sempre gostava de observar, e de repente – durante aquele terrível insight – havia decidido que gostava de imitar.
Treinava só, em meu canto minha técnica de imitação. Era como se, de alguma forma, eu já soubesse como fazer isso, apenas havia esquecido. Pensava assim porque quanto mais aprendia, mais tinha a impressão de que já sabia. Mesmo assim dediquei mais tempo do que consigo lembrar aos estudos e finalmente criei um processo contínuo de observação e imitação.
Eu era uma interminável colcha de retalhos, com todas as manias, jeitos, andares, poses que conseguia coletar pela vida afora. Me sentia o máximo e o tempo foi passando. Cortando fora pedaços que deixava de gostar, costurando novas belas partes, ia me moldando ao espaço e ao tempo. E fiz isso por muitos anos.
Mas esse processo sempre foi muito cansativo e um dia, não lembro exatamente quando, me peguei pensando que, apesar de tantas personalidades contidas em mim, eu era muito sem personalidade. Me senti então vazio. Como se toda a energia que eu gastasse, já não retornasse mais. Pedalava sem parar, em uma bicicleta que não saia do lugar. Comecei a me sentir triste.
Isso foi perto do meu aniversário de 80 anos e na véspera, enquanto refletia em minha cama, decidi que havia cansado de imitar.
Pois é a vida… acho que o resto da história, eu não preciso contar.
ehehehe fuderoso about =)
Adicionado a favoritos.