Ele não era bom em muitas coisas. Em muitas mesmo. Mas eram duas as coisas que sabia fazer muito bem: observar e imitar. Sentava calado, apenas observando e se divertia com isso. Todos achavam que ele era tímido e derrepente, BANG! Lá estava ele bem no centro da roda divertindo a todos.
O processo de imitação nunca era simples. Ele observava durante muito tempo, memorizava gestos, posturas, entonações de vozes. Depois escrevia textos expressando exatamente o tom que queria imitar. Esse era seu segredo. Ele escrevia textos imitando pessoas antes mesmo de imitá-las fisicamente. Era uma espécie de imitação mental. Assim não havia possibilidade de falha.
Mas nem sempre foi assim. Viveu por um longo período sem saber imitar e passou a maior parte de sua vida observando mesmo. Pra falar bem a verdade, eu menti quando disse que ele só sabia fazer duas coisa. Ele também tinha uma grande imaginação.
Dentro de sua mente, conseguia criar lugares inteiros repletos de pessoas, detalhes e sentimentos. Poderia assistir ao filme que quisesse com os personagens a sua escolha fazendo exatamente o que ele queria. Isso o ajudava na hora de criar seus textos também…
Com o passar dos anos, ficou cada vez melhor e mesmo com o peso de todas aquelas décadas em seus ombros, continuava jovem. Quem via, não acreditava. Como ele não envelhecia?
No dia em que completaria 80 anos foi encontrado morto em sua cama. Parecia estar fingindo dormir, mas ele estava morto mesmo.
Então todos perceberam que ele não passara de uma imitação fajuta.