Notas de piano pairam no ar. Movem-se quase que imperceptíveis pela estação. Um frio de cortar a alma corre pelo extenso corredor, fazendo com que alguns cartazes balancem dementemente para um lado e para o outro.
Nos bancos ninguém. Apenas símbolos e sinais de protesto em tinta preta. Tinta daquelas que não sai. Em ambas as pontas da estação, apenas a escuridão. O tempo se arrastava, como se não tivesse nada para fazer. Trabalhava preguiçosamente e até de forma desleixada.
Enquanto andava, nem mesmo meus próprios passos conseguia ouvir. Me sentia só. Perambulando em busca de algo que provavelmente não estava ali. Mesmo assim, por cada centímetro da estação, continuei procurando. Absorvendo cada detalhe, por menor que fosse. Assim progredi por dias.
Meses.
Anos…
Finalmente naquela noite do piano, descobri. Na verdade, o fantasma da estação era eu.
massa o texto…