Minha tarefa sempre foi observar. Jamais interferir. Mas no momento exato em que intervi, compreendi. Sempre tive essa curiosidade do que aconteceria caso eu alterasse o equilíbrio, mas agora enxergo como é simples.
Tudo não passa de caos. Um caos espontâneo. Auto-sustentável. Orgânico.
Como já quebrei meu voto uma vez intervindo, vou quebrá-lo mais uma vez e explicar de uma vez por todas o que entendi – e isso é intervir novamente.
Primeiro entenda os conceitos.
- Espontâneo é aquilo que não depende de nada pra acontecer.
- Auto-sustentável é aquilo que não depende de nada para continuar acontecendo.
- E finalmente, mais importante, orgânico é aquilo que, como um amontoado de células, se desenvolve da soma de pequenas coisas e por mais que você conheça cada pequena parte, não há como prever o resultado formado pelo agrupamento do conjunto delas.
Talvez, neste momento você ainda se ache especial – por tudo que fez, por tudo que conquistou. Não quero apressar muito as coisas, mas um dia, talvez, você entenda que não há mérito algum.
O caos estava todo ali, e você como parte dele fez parte do processo. Muitos fizeram tudo errado e conseguiram atingir seus objetivos. Muitos fizeram tudo certo e nada conseguiram.
A chave para o entendimento reside no fato que nossas decisões são orgânicas. Jamais é possível prever com precisão onde vão nos levar. Mesmo que se estude cada variável, quando todas atuam ao mesmo tempo a saída é incerta, imperfeita, indeterminada.
Tamanha confusão apenas é causada porque todos que conseguiram sucesso, fizeram questão de dizer ao resto que conseguiram por serem bons. Ninguém quer admitir que não há mérito. É uma pena.
De mim nunca mais ouvirão falar. A punição para tamanha interferência é grave, mas se eu já entendi tudo, o que mais me resta fazer?
Godspeed and goodbye.